Fernando Araujo's profileEspaço de FernandoPhotosBlogListsMore ![]() | Help |
|
February 19 Testemunho por meu amigo Marcelo Vieira13 de dezembro
Meu amigo Marcelo escreveu este testemunho vendo meus trabalhos e ao ler senti uma imensa felicidade, pois nunca havia conseguido entender em palavras o que fazia. E agora divido com vcs este escrito. abraços, Fernando Araujo
Trabalho com a expressão para insinuar o que desconheço, e nestes momentos de eternas explosões, advêm forças motivadoras que pedem passagem, ora no grosso da matéria que ejaculada se impõe, ora nas riscas e nesgas aflitas e rápidas que remetem aos meus primeiros traços, esboçados junto a um pedaço de memória que está aprisionado ao passado primevo. Expresso-me para que seja recuperada uma perda inominável, fugindo tresloucado destes hábitos que escravizam o que denominamos noção do tempo, e ai estão estes rasgos fundamentais que se fazem entre o tempo tripartido, para que se faça, através da exposição fatal, o combate junto aqueles movimentos que o processo de civilização impõe, dia a dia, em todos nós, e nesta fuga homérica tento transmitir minhas forças e fraquezas, siamesas, no que mais toca ao essencial humano, a contradição. Massas de cores, lampejos efusivos, crateras, espalhafatos do corpo primeiro, certas zonas quentes, obscuras, a larva que move o homem, incandescente, pulsional, as zonas erógenas, as lembranças felizes da doce infância, o branco lavado, a suntuosa força do véu, daquilo que foi impregnando meu corpo de imagens, das quais tento espalhar para e entre o espectador, que igualmente deverá (assim espero) usar meus trabalhos como espelho límpido na procura infinita do que fundamenta, daquilo que é essencial, e que muitas vezes não cabem no palavrório limitado. Por vezes afasta, repulsa, porque pode se olhar do ponto de vista domesticado, daquilo que foi ensinado como ato repetido, habitual, e então tudo de desfaz... mas ai também há algo, porque procuro desfazer pela construção, e de novo o que me move, esta eterna contradição. Então é isto: a expressão é o que não conheço e busca direção aos olhares e corpos daqueles que dela querem participar, não de forma bovina, mas implicados em tudo que ser humano requer: luta, beleza, paisagem, gozo, nuvens, ventos, movimentos sexuais, pequenas calmarias, sangue, imposições, chamas, clarezas, delírios e que seriam infinitamente ditas aqui daquilo que está entre nós humanos, e que de forma dionisíaca, através de minhas tintas quero evocar: a essência humana.
Testemunho, Marcelo Vieira |
|
|